Eu digo, tem quem duvide
Que as cores se formam em outro plano, longe dos nossos olhos
cansados do dia solitário.
Eu penso, mas tem quem duvide
Que enquanto houver vento, a dança nascerá da terra
braços livres como as folhas que se encontram pela brisa lá de cima
Agora escrevo sem ao menos buscar um desfecho,
até o orvalho.
Frases incompletas, palavras soltas,
fitas voando
Apenas digo tudo isso...
Se eu pudesse cantar!
Cantaria como seguimos distantes
Em dia de lua pequena, de sol brando, muitas nuvens
Como andamos, com a cabeça baixa
fixando olhos minguantes no concreto desenhado da cidade
Acredito, e que ninguém diga que não
Enquanto houver quem cative,
Sonhos e ações
Palavras e anseios
Haverá laços, na alma e no corpo
Para juntos caminharmos.
Fitas em nossos pés cinzentos e feios
Fitas segurando pedacinhos de corações caídos e até pontas de bailarinas, por que não?
Tal qual numa dança
É preciso dois.
Bailarino e platéia, dois amantes. Da arte e da vida.
Duas almas solitárias, que ainda seguem assim
guardando aquele pequeno momento de explosão, que o movimento uniu.
Para Ivana Vitória Deeke Fuhrmann, querida professora de dança, quem inspirou este poema.
