sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Restam dois. Sobre laços e ações!

 
Eu digo, tem quem duvide
Que as cores se formam em outro plano, longe dos nossos olhos
cansados do dia solitário.


Eu penso, mas tem quem duvide
Que enquanto houver vento, a dança nascerá da terra
braços livres como as folhas que se encontram pela brisa lá de cima
Agora escrevo sem ao menos buscar um desfecho,
até o orvalho.
Frases incompletas, palavras soltas,
fitas voando
Apenas digo tudo isso...
Se eu pudesse cantar!
Cantaria como seguimos distantes
Em dia de lua pequena, de sol brando, muitas nuvens
Como andamos, com a cabeça baixa
fixando olhos minguantes no concreto desenhado da cidade


Acredito, e que ninguém diga que não
Enquanto houver quem cative,
Sonhos e ações
Palavras e anseios
Haverá laços, na alma e no corpo
Para juntos caminharmos.
Fitas em nossos pés cinzentos e feios
Fitas segurando pedacinhos de corações caídos e até pontas de bailarinas, por que não?
Tal qual numa dança
É preciso dois.
Bailarino e platéia, dois amantes. Da arte e da vida.
Duas almas solitárias, que ainda seguem assim
guardando aquele pequeno momento de explosão, que o movimento uniu.




Para Ivana Vitória Deeke Fuhrmann, querida professora de dança, quem inspirou este poema.

domingo, 1 de novembro de 2009

A fuga

A realidade que eu pertencia,
fugiu entre os dedos e restou a nostalgia.
Foi embora e deixou a alma lisa
Deixou em mim a essência
Sobrou em ti, a covardia!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Me diga


Qual
a cor do seu balão ?

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Morde e assopra

Do que é feito o céu,
Além de belas nuvens de algodão?
É feito daquilo que escorre da nossa sujeira, da nossa pretensão.
É feito de chuva e muito pouco de sabão.

Do que é feito o mar,
Além de ondas cansadas?
É feito, também, de espuma sufocante.
É feito de pó, máscara e contradição.

Do que é feito a terra,
Além de marrom?
É feita muito mais de sorte e muito menos de vida.
É feita de mordidas rancorosas e sopros de compaixão.

Machuca, e assopra.

Como fizemos tanto frio,
Além de ligar na tomada?
Fizemos com o medo de passar calor. E por isso congelamos.
Cada um dentro de si.

Como inventamos tantas histórias,
Além daquilo que consta nos livros?
Aprendemos a jogar já na escola.

Por que apagamos as cores,
e gostamos de cinza?
Dizem por ai, que felicidade é uma sina.

Quanto tempo se perde perdendo tempo,
Além do que marca o relógio?
Tempo não é questão de vontade, é praticidade.
Indivíduo não escolhe tempo. Indivíduos sim.
Mas o tempo escolhe quem quer.

Do que é feita a riqueza,
Além de ouro e peso?
É feita de papeis, apostas e marcas d'agua.
É feita, mesmo, de diferenças. Negativo e positivo.

Machuca, e assopra.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Quando necessário

Parece que a garganta dilata
Os sentidos se encontram
E a respiração estabelece um ritmo,
preciso e inconfundível.
É quando o corpo, ereto, faz uma pausa
e sente o alívio.

O remédio já desceu pela garganta.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Apague!

Estou dentro, está fora
Me coloco em pé como quiseres
E logo esqueço o agora,
não importa o que fizeres

Insiste em apagar
lembranças, casos e fracassos
Continuamos a lamentar
o vai e vem do compasso

Você conhece, nunca viu
Quem antes estava em contato
com qualquer coisa que sentiu
Encerramos, a cada dia, um novo ato

Era tanto, agora é nada
Permança girando a roda
Aos meus amigos, a lista está para ser apagada
Continuamos humanizando a poda

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Floresta

Toda carnificina que te rodeia
Conflitando em qualquer caso
Toda inveja que nos permeia

Mas todo predador tem seu passado

Vagamente recordo
toda hora que fiz.
Toda história que por ai diz

Mas não se apresse, todo predador tem seu passado

A mobilidade extrema
continua enroscada em cipós,
soletrando sempre a mesma

Mas ouça o que digo, todo predador tem seu passado

Procuramos a trilha,
e no meio dela, exercitamos a partilha
rodeados por cobras

Mas todo predador tem seu passado

Então, depois da revolta
fingimos sorrisos
e continuamos a escolta

Mas espere, toda presa tem seu passado